Corta-mato distrital do desporto escolar - Fevereiro de 2010
Prova de Infantis A Feminino - antes do tiro de partida o speaker entretia as miúdas com brincadeiras e questões do género "Bom dia está tudo bem?" "Siiiiiiiiiiiimmm!" respondiam as mais de 200 crianças em uníssono, ávidas de folia, alegria e de correria. Após cerca de 10 minutos de instrução acerca de como se iria desenrolar a prova, é finalmente soado o tiro de partida. As 200 miúdas partem para uma prova de 1000 metros como se ela terminasse ali ao virar da curva. Ooopss! Uma caiu, e na azáfama do mini-pelotão é atropelada por uma ou duas colegas que tentam desviar-se e saltar por cima. Porém, para a menina que caiu, a experiência do 1.º corta-mato que se esperava tão "fixe", tão espectacular revelou-se um verdadeiro fiasco. Estava ali, sentada no chão, com as mãos sujas, com a roupinha cor-de-rosa completamente enlameada enquanto as suas amigas desapareciam ao fundo da recta, e se divertiam enquanto corriam saudáveis, durante uma prova desportiva bem estruturada, bem adequada às suas necessidades de criança.
Apesar de tudo, foi apenas um susto. Nada de grave, para além da desilusão!
Eis que entra o pai em cena. Invade a pista, acerca-se da miúda que entretanto havia sido auxiliada pelo speaker e por mais alguns elementos do staff. Empurra toda a gente, reclama, ameaça, insulta, agarra a miúda por um braço, arrasta-a para fora da pista enquanto continua a insultar e a ameaçar todo o staff técnico, como se tivessem sido eles os responsáveis pela queda da criança.
Corta-mato distrital do desporto escolar - Fevereiro de 1990
Prova de infantis A - Soa o tiro de partida, e entre o aglomerado de 400 crianças há uma que cai. É pisada, fica suja, faz doi-doi nas mãos, fica para trás enquanto as outras se distanciam sem olhar para trás, tal é a sensação de felicidade e liberdade de correr entre as árvores, com os amigos, vendo quem chega primeiro.
Está no chão de barriga para baixo observando as outras meninas ao fundo, a fazer a curva. Os elementos do staff correm em seu auxílio. Levantam-na, e perguntam-lhe "magoaste-te? está tudo bem?", "sim", responde um pouco tímida. "Queres continuar?", acena com a cabeça esboçando um sorriso. E lá vai ela, enlameada, feliz, tentando recuperar a distância que as separa das suas amigas.